1.2.14
02:03
uma vez que você tem idéia do quão valioso é o seu tempo, quantas outras coisas você podia ta fazendo, tanto amor tanto amor! e tudo porque? pra não doer? que merda viu...
31.1.14
tempo
tenho 23 anos e te amo há tantos mais.
antes de cristo, no início do início da idéia de você, eu amava a massa quente que era o ventre dos teus ancestrais, o esperma do primeiro tronco que originou a árvore, a terra que esperava a semente, eu amava tudo que o sol tocava que aguardava apenas a idéia de você para fazer sentido. amava a sombra que fazia a tua figura no ultrassom, amava as mãos da tua mãe no instante da aliança, tremendo. amava o instante exato onde viesse a existir, bem longe de mim, de saber de mim, do quanto eu já te amava. amava por instinto, com os pássaros que voam do caos, te amava como um presságio do que virias a ser. te amava antes da idéia do amor, antes mesmo do encontro atômico do big bang, te amava quando não existia nada, nem mesmo o amor, e eu te amava pois era necessário que o vácuo se fizesse em ti. bem longe do continente, te amava de costa a costa quando a terra se afastava aos poucos e eu permanecia estática, te amando.
...
aos poucos percebo o quão bem me sinto sozinha. não preciso sorrir para mim mesma, nem pedir licença ao me levantar da mesa. as pessoas tem me cansado a tal ponto que prefiro caminhar descalça pelos meus próprios ovos a ouvir inutilmente sobre os dias alheios...
30.1.14
22:57
tudo basta como se houvesse algo, então te digo: contenta-te com essa falta e faz dela o que quiseres. nada nunca será tão teu quanto esse abismo de loucura, os pés no chão, claro.
acenos
três vezes chamei teu nome esperando uma aparição que nunca veio. três vezes acordei a noite para te procurar em mensagens que nunca chegaram. meu bem, te escrevi porque sei que você não volta mais, só por isso. tenho ao meu favor a certeza da rejeição, e isso torna tudo tão mais leve, sabe? não rumino as entranhas da minha mente pensando em se se se, te escrevo com a paz de um não e o sossego de quem aceita. nem sei se és mais o que és, porque para mim serás sempre o que eu quiser agora, portanto que não venhas estragar a brincadeira, que permaneça tudo como está, assim; não sendo. te amo muito, fica bem, fica longe :)
boa noite
eis então que fico aqui nos meus comigos, te desejando boa noite. ainda bem que fica uma lembrava marcada no chão depois que o tempo levanta voo, ainda bem mesmo, pois em noites como essas tudo seria obvio demais, claro demais, sem um pouco de memória pra confundir a cabeça.
olha, não me leva a mal, eu sinto falta de quase tudo do meu jeito, sabe? como a gente deitada na cama de Viena morrendo de frio e você me acariciando com os pés e eu gemendo de amor e nosso enroscado, quem sabe nem foi assim? mas que importa, tudo já se foi e so me restaram essas memórias de faz de conta, tão minhas que nunca existiram.
te amo meu amor, dorme bem, dorme leve
29.1.14
02:52
numa mata de tempo, ceifa, ceifa, ceifa! no talo do pé da hora, eu parada. e da raiz brota a eterna pergunta, driblando os ponteiros: cade você?
Débora
tenho mandado tanto amor pra você, Débora. Débora porque foi quase isso, como você ia sendo e não foi, como isso aqui, sabe? então eu te chamo assim.
vejo você fumando na janela, procurando uma vaga na rua cheia, tanta gente no mundo, e nenhuma delas é você, Débora, porque você não é.
no mais os dias correm como a pipa no final da linha, tão longe e sob controle, tão alheio a tudo que se passa aqui embaixo.
no mais estou tirando de letra a solidão, creio mesmo que nasci pra isso tanto quanto não nasci pra ti.
no mais sinto que é sempre menos, como quando quase não lembro de...
veneza
assim como o mar vai bebendo Veneza aos goles mansos, assim como tanto ferro alisado de maresia, como as estrelas um dia se despedaçam em milhões de pedaços de mágica, você vai submergir numa imensidão de algo maior que esse sentimento, de algo maior que essa escuridão no peito, basta apenas encontrar o que. o que será nessemundo maior que a ti, que és o mundo pra mim?
veneza
assim como o mar vai bebendo Veneza aos goles mansos, assim como tanto ferro alisado de maresia, como as estrelas um dia se despedaçam em milhões de pedaços de mágica, você vai submergir numa imensidão de algo maior que esse sentimento, de algo maior que essa escuridão no peito, basta apenas encontrar o que. o que será nessemundo maior que a ti, que és o mundo pra mim?
27.1.14
still
engraçado como a saudade anuncia a falta, mas me traz tão mais perto de mim mesma. é uma solidão a dois.
era o teu pé roçando no meu no meio da noite, sem querer, percebia que não estava sozinha. o cheiro de dormido misturado com o perfume velho e os restos de ontem. dormir tão perto e acordar nos extremos da mesma cama. era desse jeito que era. é assim que lembro.
meu amor, você está feliz. você está fumando seu cigarro sentada na janela do quarto, vendo a vida dos vizinhos, com o coração quente e alguém na cabeça dando lenha pra esse teu novo fogo.
eu não sei se te quero assim, sabe? so que eu entendo que não me cabe mais querer nada. então, que seja...
vai correr um frio na espinha, força!
26.1.14
maiúsculo
não peço a deus que me faça mais forte
nos momentos de desespero
onde me forço a pensar
que Ele existe
em algum lugar, com suas iniciais maiúsculas
nunca peço coragem, nem força, nem nada do tipo
converso num boa
sem questionar porque porra as coisas acontecem assim, do jeito que acontecem comigo
repetidamente intermináveis
mil vezes pregada na mesma cruz
eu peço, as vezes,
no auge do desespero
seca
transbordando
peço apenas que me conceda um choro
que do resto eu me alivio
sobre o que não será dito
das coisas da vida, pouco se compreende. como ninguém ensina à uma criança que um dia alguém virá e quebrará aquele tambor no peito dela?
que talvez isso aconteça de forma tão rápida, um dia, que ela nem se de conta do quanto morreu.
pode ser que não, também. tem gente com jeito de quem nunca foi quebrado, de ritmo tão constante que parece surdo.
ensinam que podemos vencer, que vamos crescer e casar, ou não, ter filhos, ou não, morrer, com certeza. ninguém fala dos marginalizados, dos que nunca chegaram a lugar algum, dos asilos lotados de vidas esquecidas, dos sanatórios, hospícios, bueiros. ninguém fala dos que morrem antes de que tudo se inicie. mas dizem que devemos tentar, porque vamos vencer.
deixa eu te dizer uma coisa, que talvez nunca mais te será dita: não temos uma vida; temos o peso de mil mortes e duas mil reencarnaçoes. tenho pra mim que cada noite dormida é uma pequena falência. você vai lembrar disso na próxima vez que sua garganta não travar de choro. sentirá falta da dor quando topar o pé no chão. sentirá falta da fome de quando era mais vivo. algumas coisas morrem, outras param de existir.
boa sorte, meu amor.
ainda
num dia como hoje você desatina, como as reumáticas antes da chuva. mas lá fora tem sol.
não me previno mais, sabe? aceito e recebo quando chegas, ainda que seja nos momentos mais inapropriados, ainda que nunca venhas quando chegues.
te disse que há tempos não choro? sem um pingo de orgulho por essa seca. seria tão mais fácil te materializar em lágrima e deixar que escorra até bastar.
eu sempre vou te amar. mas parei de fazer arrodeios quando preciso mencionar seu nome em alguma notícia. as vezes dirigindo, paro no sinal e você entra no carro e te desejo tudo de tão bom, com o raio de sol quente batendo no braço esquerdo, um calor no peito e um desejo desumano e sincero de que você esteja bem, ainda que queime tudo por dentro, e o sinal abre e você salta e eu continuo meu caminho pra onde vou.
entenda, eu não espero mais parada. sempre vou te amar durante um passeio de bicicleta, sempre vou te amar preenchendo as papeladas do dia a dia, te amarei nas contas de luz, te verei no café da manha, vou te amar nas mãos dadas com outra pessoa. seria traição comigo se não traísse os outros. eu vou em frente e você vem comigo, eu faço história e você a entrelinha.
o coração é um músculo, o mais solitário dos músculos. mas é músculo para poder crescer quando usado. para bater quando apanha. não há autópsia no mundo que revele os que moram ali. tenho um zoológico de gente no meu, e você anda livre entre as jaulas. fui tão maior desde então, fazendo apenas mais espaço ao redor do seu. é seu, meu amor, não há nada que eu possa fazer, nem você.
é mais bonito lembrar do que viver. mas viver lembrando, não quero mais.
dorme, dorme tranquila. aqui é teu.
15.1.14
6.1.14
17.8.13
13.8.13
cheating
não foi a você que eu enganei. você sabe que vai saber, mesmo que não saiba ainda. foi a mim mesma, o que é ainda pior.
o beijo fino e pequeno, tão diferente do nosso, que as lembranças davam ainda mais saudade, pareciam tão mais velhas.
o cheiro doce demais.
foi agradável, uma conversa inteligente, de fala mansa e olhos nos olhos. e uma saudade monstra. e uma tristeza imensa.
eu sei que nada será o mesmo depois de você, porque eu não sou a mesma depois de você. ela não me conheceu.
você me reconheceria.
ela não sabe que eu rôo unha e tenho medo de abandono. mas ela sabe que ainda te amo, e isso basta.
por que é tão fácil me fazer íntima das pessoas que mal me conhecem? pra elas acharem q conhece. e eu me sinto ainda mais solitária por ninguém enxergar o que eu escondo.
você saberia exatamente pra onde olhar no instante em que eu fechasse os olhos e ficasse calada. você saberia antes mesmo de mim.
parte de mim quer recomeçar longe de tudo que me lembre aquilo. eu sei que você também quer.
mas eu queria você.
e agora não quero que ninguém mais me queira, não quero pensar na possibilidade de ser responsável por um outro peito batendo nesse mundo. eu não quero quebrar mais nada, entende? você me entende, meu amor?
mas eu continuo perguntando as coisas como alguém que se interessa.
eu preciso de um banho quente, está tudo muito doce.
10.7.12
d day
então chega o dia em que você percebe a inutilidade do seu controle. o dia em que, após uma sequência de dias como esse, eu simplesmente me rendo às coisas que brotam de mim. e de repente, tudo que há lá fora parece distante e ilógico. de algum jeito, me fizeram acreditar que a minha forma de sentir o mundo não é socialmente aceita. então resolvi criar o meu próprio lugarzinho, onde não me marginalizo por pensar demais, onde não me dizem que eu pareço sentir mais do que os outros, onde eu sou meu próprio parâmetro de normalidade e...
e onde sentir sua falta é um ato bonito e isento de vergonha.
e onde sentir sua falta é um ato bonito e isento de vergonha.
9.7.12
os sinais
you know i can read them, right? you know i look for them, that's why you leave them, right? you keep this imaginary leash around my neck, but it still suffocates me, in my head. it makes me so angry, leave me alone, leave me alone. are you there? please be there, i'm sorry... i don't know, maybe it's just me wanting you to think of me.
29.3.12
28.03.2012
(várias horas do mesmo dia, na minha cabeça, no meu peito.)
eu deveria estar estudando. deveria estar pensando no futuro, na frente. mas meu pescoço nasceu virado ao contrário, cada vez me convenço mais disso. meus olhos desenvolveram-se emborcados para dentro. não há nada na minha vista além de mim mesma, olhando para trás.
luto contra a vontade de ceder todos os dias. a vontade de chorar quando, do nada, me brotam as lágrimas nos olhos. luto contra mim mesma, e isso me soa idiota. perco sempre que ganho mais do que perderia me rendendo, me entregando às coisas que brotam em mim tão anturalmente. por que não sei vive-las? por que devo repeti-las silenciosamente todos os dias, meu pequeno ritual de vida, sempre quase, sempre nunca. são tantas as pessoas que vivem suas vidas como se não houvesse perguntas, como se não existisse outra opção a não ser vivê-la da forma que ela se apresenta. por um motivo único, não sei encaixar-me na minha; sou eu quem a possuo. essa relação de posse não passa de mera ilusão, triste ilusão. de forma alguma tenho a minha vida, jamais poderia. ser como o ladrão que rouba mais do que aguenta, deixando cair no chão pedaços do que julga ser seu. com que peito ouso dizer que sou dona de algo que nem eu mesma consigo comportar? não, eu sei; sou dela. e ainda assim, não cedo.
tenho apenas um corpo onde deus plantou uma alma dessas, assim, para que não ficasse oco. não passo de uma tijela de carne tentando se manter limpa nas bordas, inteira. e ouso pensar às vezes que sou também o conteúdo. eu, de carne, acho que tenho fome. eu, oca, acho que posso sentir.
são os olhos virados para dentro, sempre soube. mas ainda não sei falar com autoridade sobre eles. estão olhando.
sentir a falta de alguém. como pode acontecer de se sentir algo que não está? como uma energia estática que permanece no ar depois do último som, e logo se respira para dentro para então perceber que já não se é mais a mesma. se pudéssemos colorir os momentos, talvez veria com mais clareza o que tento dizer. tem algo que fica ali sim, quando o outro se vai. uma coisa que não é preta, nem azul, nem nenhuma das cores visíveis. uma espécie de mancha transparente num rosto, onde não cabe a lembrança nem a realidade. abre-se um portal entre o tempo e o espaço. abre-se um vazio, mas vazio é uma palavra sensata, e logo não cabe para descrever. é preciso ter coração. é preciso ter sentidos. é preciso ter perdido um pouco da razão. é preciso um momento de transcedência, onde um corpo se retira e um outro o deseja presente, tão intensamente, de forma tão visceral, que prevalece o irracional; tudo fica suspenso, a lei da gravidade cai ao chão, a trapaça física. num mesmo espaço, por força de nada mais que um forte instinto de querer, ocupam-se duas massas. contam-se dois tempos. cabem duas vontades. e quem parte, parte. e quem fica, vence.
é o dia. quero que seja o dia. assim posso limitar essa angústia a um espaço de tempo, e esperar tranquila. quero acreditar que de meia noite tudo vai passar, assim como de meia noite, tudo veio. isso me acalma, por enquanto. poderei acordar amanhã tranquila novamente, sem essa raiva, sem esse orgulho. fui sincera comigo, hoje é meu aniversário e acho que mereço aliviar esse peso um pouco. ceder um pouco. com essa raiva, com esse orgulho. o dia é só uma desculpa para me usar ao avesso. mas por que sou sempre tão rasa ao enterrar meus mortos?
i knew you had left for good. you told me it was just a matter of time, but i think that already at that time i had had enough of waiting and wanting. see, you were still here even though you had moved on. and i still kept asking myself "when am i letting you go?" then i realized it was not about you leaving anymore, you hadn't looked back. it was me, i hadn't moved since then; i was still here thinking about myself thinking of you. so i decided to change my question; "when am i letting myself go?"
essa data sempre me lembrava reencontros, e hoje eu tinha esperança de que, talvez, poderia reabrir velhas portas. mas a expectativa se realizou em abraços e não se desfez em sorrisos, tudo estava e não estava ali. termino dia agora com esse relato honesto, satisfeito, abrindo e fechando velhas feridas. engraçado como aniversário sempre termina sendo uma surpresa. stefanie, que eu nem imaginava lembrar, me ligou toda feliz contando que nunca esqueceu meu aniversário. e eu, ao desligar, percebi que nem lembrava quando era o dela. mensagens simples de pessoas que não precisavam ter feito o mínimo esforço, mas doaram seu tempo e carinho só para lembrar que não esqueceram. marcela, nathalia… ligações tensas, frio na barriga, garganta presa, alívio. carol, como sempre esquecida, me faz rir alegre sabendo que ela vai lembrar angustiada e besta, pois não há raiva. é a carol que eu amo. e andrea, sempre andrea. a certeza de que ouviria sua voz, a conversa longa e íntima, as piadas não mudaram, as farpas no carinho. a vontade implícita, o medo de sentir algo singularmente. mas eu não podia mentir para mim no dia em que nasci. "falar contigo em da saudade. um beijo" "é sempre bom falar cntg (: DOIS beijos kkkk" "não é a mesma coisa, mas tudo bem. não quis te deixar sem jeito, beijo :)" "oxe que nada. fiquei sem jeito não (: beijo" a confirmação de que estava só num sentimento que realmente já passou, a consciência de que não deveria maisestar ali, junto com o orgulho de mim mesma por ter sido fiel, por ter tido a coragem de dar minha cara ao vento, e a raiva por ter me doado assim de forma tão vã. tudo bem, quantos dias não havia me segurado, pouco e muito, para não soltar uma frase dessas assim ao vento? e as vezes que pensei em pichar um muro esperando que você passasse e visse? as mensagens explícitas que soltava nas águas virtuais do computador esperando que, por alguma coincidência, você viesse a ler? eu podia mentir para todos o ano inteiro, e não acho que tenha sido o caso. você foi e voltou, e isso que me assusta. a forma como você volta com tudo depois de tanta certeza de que me livrei. mas mentir hoje, para quem quer que fosse, especialmente para mim, seria como negar a minha vida inteira. ainda sinto saudade, ainda vejo esse rosto no meio do meu peito doendo e continuo querendo conversar com as sombras que vivem comigo, ainda que elas não respondam. é extrema o tamanho da falta, mas eu não sei medi-la. posso apenas dizer que é grande o suficiente para não caber em nada. mas tudo bem se isso for algo só meu. deletei meu facebook para não ser lembrada, para testar, de certa forma, quem tinha a mim realmente dentro de si. descobri, de forma bonita, que ser esquecido não assusta. o que teme mesmo é o apego que se cria à vaidade fútil de ser lembrada. literalmente hoje, aprendi que me angustiava muito mais esse sentimento carente. termino o dia com essas palavras, sem saber direito ainda como vou me acordar amanhã. e ainda que me restem mais 25mins de maria, prefiro me silenciar por agora, deitar na cama, ruminar os pensamentos ou dormir. eu não sei.
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